Ao ETASTE já confirmava a abertura do novo espaço meses antes do verão sequer começar. Mas ainda era segredo. Agora, e em exclusivo, Rodrigo Castelo revela-nos o seu projeto na capital portuguesa. Chama-se Mariscador e abre portas em meados de dezembro, no Campo Pequeno, local que o ex forcado conhece bem.

Taralhão (bivalve), lagostim do rio, cigalas, berbigão bicudo, camarinhas, camarão marreco e ameijoa do rio são só alguns dos mariscos que Rodrigo vai servir no espaço de dois pisos. E, como nem só de marisco vive o homem, o chefe quer apostar em tudo o que envolve uma ida à marisqueira. “Quando chegam à mesa, os clientes encontram um bom presunto de Barrancos, língua de toiro curada e fumada, pão do Mário Rolando e manteiga da zona de Coimbra”. A aposta é também em pratos de arroz e num caldo de caranguejeiro do rio, para começar a refeição. Como não podia deixar de ser, no fim da mariscada, e como um verdadeiro português, há ainda prego de touro bravo ou de carne maturada. “Ainda andamos em fase de procurar e contactar produtores”, revela.

No piso superior, de apenas 30 lugares, Rodrigo pretende deixar o cliente nas mãos do chefe com um menu de degustação com vários momentos inspirados no rio e na sua cultura ribatejana (o que, aliás, já faz na Taberna Ó Balcão). “Aqui vamos trabalhar os mariscos mais esquisitos que existem”.

“Não é mais uma marisqueira, é a marisqueira” é assim que o chefe define o seu novo espaço em Lisboa. Mariscador é o nome do homem que apanha marisco. É também o espaço físico onde se degusta este petisco e, por isso, Rodrigo não teve dúvidas quanto à sua escolha. As fardas da equipa de sala vão ser adornadas com tecidos das camisas dos pescadores e os cozinheiros vão usar calças à pescador. A estilista Gabriela Pinheiro pôs em tecido as ideias de Rodrigo e Rita Glória decorou a casa que pretende ser “um local para se vir e estar”.

Enquanto conversamos, somos interrompidos por um telefonema. A chamada vem de um cozinheiro que quer trabalhar com Rodrigo no novo espaço. “Pensava que ia ser difícil compormos a equipa, mas afinal não”. Bruno Costa é o responsável de sala e Bruno Ribeiro da cozinha, num total de 30 trabalhadores que servirão 120 lugares com um horário alargado até às 2h da manhã. “As pessoas podem visitar-nos depois de um espetáculo, no final de um jogo de futebol ou de um concerto”, explica Rodrigo, também ele “viciado em marisco”.

No passado dia 25 de outubro, fez quatro anos que a Taberna Ó Balcão abriu portas. “Fui arquiteto, eletricista e pintor”, revela, lembrando a altura em que ficou desempregado e construiu com as suas mãos o restaurante. Nos últimos anos foram muitos os que se deslocaram até Santarém para provar os petiscos do ribatejano. A vontade de trazer o seu trabalho em Lisboa fez erguer o Mariscador. E, quem sabe, não ficar por aqui. Depois do sucesso da parceria com Rui Martins, no projeto Lucky 13, que o chefe descreve como “um dos melhores jantares a quatro mãos” que já fez, segue-se uma apresentação no Congresso dos Cozinheiros, que acontece de 11 a 13 de novembro e um jantar no Chapitô à Mesa, dia 17.