São todos recentes e apresentam novidade na restauração lisboeta. Um deles veio aumentar a oferta do conceito gastrobar no panorama nacional, misturando num só local comida e cocktails; outro é o há muito esperado novo restaurante de Alexandre Silva do Michelin Loco; e terceiro é o espaço que traz de volta à cidade o italiano Augusto Gemelli. Saiba tudo sobre os novos espaços de seguida.

Audaz Gastropub
Rua 4 de Infantaria, 3A. Campo de Ourique, Lisboa.

Foto: Rita Pinto

“Não é um restaurante com um bar nem é um bar com comida.” Esta será a melhor frase para descrever o Audaz, o mais recente gastropub de Campo de Ourique. Manuel Lino e André Peixe, os respetivos chefes de cozinha e bar do espaço, explicam que as duas dinâmicas convivem em conjunto, não havendo qualquer espécie de hierarquia. “Este é um espaço com consumo até fora de horas algo que ainda não existia neste bairro. A ideia do proprietário era descentralizar [em breve vão abrir dois novos Audazes — um deles em Telheiras — com cartas e decoração diferentes. O de Campo de Ourique conta com um mural assinado pela street artist Tamara Alves] e reforçar este conceito de gastropub na cidade”, explica Manuel Lino, que até abraçar o novo projeto, estava no Local, no Príncipe Real. Da cozinha, explica, saem pratos inspirados na cozinha portuguesa: “Existe alguma liberdade. Tanto posso fazer um prato com mais técnica e conhecimento (caso da corvina tom yam na brasa com molho asiático e alho francês assado ou do bacalhau e presa confitados) como outros de cariz mais tradicional (como as moelas de galinha estufadas com espuma de batata e alho ou a orelha de porco prensada com escabeche de mexilhões e molho de francesinha). A expectativa é comer bem, sem regras.”

Apesar deste Audaz ser um conceito híbrido, desengana-se quem ache que existe qualquer pairing entre comida e bebida. “O que pode ser ideal para mim, pode não ser para ti. Por isso mesmo, deixamos o cliente escolher e fazemos sugestões mais gerais”, diz André Peixe. O gastropub abre às 17h [em breve vai estar aberto a partir da hora de almoço] e, por isso, a ideia é entrar e beber, petiscar algo da carta especialmente criada para funcionar fora das principais refeições ou jantar e ficar durante a noite. “Chega a uma altura em que as luzes baixam e o ambiente muda. A ideia é ter dj’s ou música ao vivo e também uma oferta cultural cujo cartaz vamos divulgar em breve e no qual podem-se incluir leituras de poesia ou até mesmo um stand up de comédia”, acrescenta.

No bar de André tal como na cozinha de Manuel, reinam os produtos nacionais com uma oferta de cocktails inspirados na cultura lusa, caso de Amália (aguardente Lourinhã XO, Patrón XO café, baileys, café audaz, gelado de tiramisu, bitter de chocolate) ou Xaxo (Gin Amaka [português], mácua, sumo de lima, xarope de yuzu 1883, clara de ovo). Também há opções de gin, whiskey, vodka, rum, tequila no qual o bartender usa infusões de chá, o que torna as bebidas mais “aromáticas” . Para complementar a oferta, há ainda uma carta de vinhos e de cervejas nacionais.

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Chefe: Manuel Lino. Começa em Espanha com dois estágios nos afamados Mugaritz e Celler de Can Roca e uma experiência profissional no Mandarim Oriental Hotel. O regresso a Portugal acontece em 2012 quando aceita fazer parte da abertura do Alentejo Marmoris Hotel & Spa. De seguida, estreia-se a solo no Tabik, em Lisboa e, mais tarde, abre o seu primeiro restaurante, Trio. Em 2017, regressa a Espanha para chefiar o Hotel La Torre del Visco e retorna à capital em 2018 para liderar o Local, onde esteve um ano.
Conceito: Um gastrobar com cartas de comida e bebidas focadas no produto nacional
Horário: Aberto de domingo a segunda-feira, das 17h à 1h. De quinta-feira a sábado, das 17h às 2h.
Reservas: 211 349 094

Fogo
Av. Elias Garcia, 57. Campo Pequeno, Lisboa

Foto: Paulo Barata

Ainda antes do Loco surgir na cabeça de Alexandre Silva, já a ideia para o Fogo lá morava. “Era para se chamar Zé do Mal [nome do avô paterno do chefe] e ser algo ligado ao fogo mas mais à bruta, género de uma taberna. Entretanto surgiu a oportunidade de abrir primeiro o Loco por ter um investimento menor e acho que foi o melhor que fiz porque correu muito bem e deu-nos credibilidade”, começa por explicar. Muitos anos depois, Alexandre vê agora o seu sonho tornado realidade. Fogo abriu em dezembro de 2019, exatamente quatro anos depois do seu restaurante Michelin e conta o chefe residente Manuel Liebaut (ex-responsável pelo I+D do Loco) e o subchefe Ronald Sim (ex-Burnt Ends, um dos mais reconhecidos restaurantes a fogo da atualidade) na equipa.

Tal como o próprio nome evidencia, neste Fogo tudo passa por este elemento base: “Não é só para inglês ver”, avisa o responsável. Por isso mesmo, todos os pratos são confecionados no forno a lenha, em grelha, no espeto ou num tacho de 80 quilos. O foco é o produto nacional e biológico, seja este carne, peixe, legumes ou marisco. “Quando idealizei este espaço queria que fosse o restaurante perfeito no sentido em que permitisse que qualquer pessoa pudesse vir almoçar ou jantar muitas vezes e pudesse comer sempre coisas diferentes”, explica Alexandre. Desde que abriu, já várias criações saíram da carta para dar lugar a outras, algo que para o chefe do criativo Loco é completamente normal. “Eu tenho de garantir que os pratos sejam bons e deliciosos, não tenho de garantir ter o mesmo produto todos os dias porque isso não vai acontecer. Se não arranjas o produto de ontem, tens de ser mais criativo hoje”, acrescenta.

À data da vista do ETASTE ao espaço, Chicharro dos Açores na brasa com escabeche fresco, Lingueirão na grelha, Raia grelhada com molho de alho e batata a murro, Vazia de vaca Frísia com estufado de feijão e salada e Pão-de-ló de Alfarroba com sorvete de noz, azeite e flor de sal eram alguns dos pratos presentes na carta.

No campo das bebidas, há uma longa lista de vinhos nacionais e ainda várias sugestões de cocktails — vindas diretamente do bar do Fogo, localizado mesmo à entrada do restaurante, chefiado por João Bruno. Gin fizz de carvão com maçã verde e azedas e Falso negroni com gin e cacau puro são duas das sugestões da carta.

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Chefe: Alexandre Silva. Assumiu a liderança do Bocca, em Lisboa, até aceitar chefiar o Alentejo Marmoris Hote & Spa, em 2012. Depois disso, passou pela Bica do Sapato. Em 2014, estreou-se no mundo dos negócios e inaugurou um food corner no Mercado da Ribeira em nome próprio. Dois anos depois abriu o Loco, em Lisboa, que em 2017 conquistou a sua primeira estrela Michelin.
Conceito: Restaurante com recurso a fogo, sem uso de eletricidade.
Horário: De terça-feira a sábado do 12h30 às 16h e das 19h30 às 00h. Domingo, do 12h30 às 17h.
Reservas: 217 970 052

La Squadra
My Story Hotel Figueira. Praça da Figueira, 15B. Rossio, Lisboa.

Foto: La Squadra

Augusto Gemelli, chefe italiano a viver em Portugal desde 1996, já há muito que queria voltar a Lisboa para abrir o seu desejado clássico italiano, após o fecho do seu restaurante em nome próprio, em 2013. Ao longo dos últimos anos, Gemelli desdobrou-se entre consultorias por país fora e quando surgiu o convite para chefiar o La Squadra, por parte da cadeia de hóteis My Story, achou que essa fosse a oportunidade ideal para voltar à capital. “Queríamos criar um espaço que retratasse a verdadeira Itália, tanto no prato como no serviço. Muitos restaurantes italianos pelo mundo adaptam-se ao país onde estão e no La Squadra não queremos fazer isso, para além de que queremos ser fieis às receitas originais”, começa por explicar o chefe. É por isso que cerca de 80% dos produtos usados na cozinha vêm de Itália e, nos vinhos, a percentagem chega aos 98%: “Até na confecção dos pratos usamos vinho de Itália”, acrescenta.

“Não fazemos compromissos, não inventamos nada. A maioria dos pratos que sirvo não fui eu que inventei, são receitas tradicionais mas que do ponto de visto técnico e de produto têm um toque mais moderno”, explica Gemelli que insistiu em ter na carta “pratos mais massacrados comercialmente” — casos do risoto, da carbonara ou do tiramisu — para apresentá-los de forma mais autêntica possível. Na carta de pizzas, a ideia é ser o mais fiel possível aos clássicos do país de origem do chefe, com massas feitas de raiz que se dividem-se entre as do tipo bianca (sem molho de tomate), rossa (com molho de tomate), especiais, calzone (pizzas recheadas) e doces. As clássicas margherita, 4 formaggi e diavola e as criadas por Gemelli, assim como a portuguesa (molho de tomate, tomate fresco, lascas de bacalhau, cebola frita, ovo, bata, azeitonas, carne picada, feijão preto, jalapeño picante, queijo cheddar) ou a tirolese (molho de tomate, presunto Speck, cogumelos, queijo taleggio) são algumas das opções a provar.

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Chefe: Augusto Gemelli. Aos 22 anos, abre o seu primeiro restaurante em Milão, L’incontro. Depois disso decide viajar pelo mundo e passa pelo Hotel du Parc Mulhouse (França), Bice Londres (Argentina), Bice El Conquistador (Porto Rico) e Casa Medici no Hotel Taj Mahal (Índia). Chega a Portugal em 1996 como convidado para participar num novo projeto de restauração ligado à cozinha italiana. Em 1999 abre o seu primeiro restaurante em Portugal e depois um segundo, em nome próprio, que viria a fechar em 2013. Nos últimos anos, tem trabalhado no papel de chefe consultor em vários restaurantes de norte a sul de Portugal.
Conceito: Restaurante clássico italiano.
Horário: Aberto todos os dias, do 12h às 23h30.
Reservas: 211 451 791