O novo restaurante de fine dining do Hotel Ritz marca o regresso de Pedro Pena Bastos à restauração lisboeta. Cura, assim se chama, é o novo palco do jovem chefe que pretende honrar os produtos portugueses à mesa.

Contactos:

Cura

Chefe: Pedro Pena Bastos
Conceito: Cozinha de autor com foco nos produtos portugueses.
Menus: Raízes (75€), Meia Cura (85€), Origens (120€) ou opção à la carte.
Morada: Four Seasons Hotel Ritz Lisboa. Rua Rodrigo da Fonseca, 88.
Reservas:
213 811 401 ou cura.lis@fourseasons.com.
Horário: Aberto de terça-feira a sábado, das 19h30 às 23h.

É há muito tido como uma promessa no setor e com razões para isso. Pedro Pena Bastos é a nova joia do Ritz Lisboa, que já conta na sua carteira de restaurantes com o emblemático restaurante Varanda. A aposta no trabalho que o jovem portuense de 30 anos tem vindo a demonstrar é evidente na forma como este Cura se apresenta. O novo restaurante do histórico hotel conta com uma porta para a rua — sinais dos novos tempos — e, ao entrar, há um cuidado evidente com os pormenores, não estivesse este situado no Ritz Lisboa, com 61 anos de história. É inspirado nesse passado que Miguel Câncio Martins projetou a arquitetura do espaço de uma antiga sala de eventos. A decoração, essa, privilegia a madeira, o granito azul e evidencia detalhes em latão e queniano preto. Essa linha é complementada pela iluminação, a vasta garrafeira, a cozinha e claro está pela equipa, da pastelaria ao serviço de sala. Para além de Pena Bastos, que se evidenciou mais recentemente nas cozinhas do Esporão, em Reguengos de Monsaraz e do Ceia, já em Lisboa, o hotel muniu-se de outros talentos pescados em casa, caso de Diogo Lopes, há muito o número dois do chefe pasteleiro Fabian Nguyen no Ritz e da sommelier Gabriela Marques, mas também dos homens de confiança do chefe, como Mário Marques, que assume a direção do restaurante e da salo e Marco Carmo, o braço-direito de Pedro na cozinha.

O projeto era para ter aberto no primeiro trimestre do ano mas a pandemia furou os planos a este Cura e a parte do mundo. Para Pedro, esse tempo foi usufruído em prol do projeto, uma vez que lhe permitiu ter a oportunidade de “rever” todos os passos da abertura. Apesar de estar associado a uma grande estrutura, Pena Bastos é pragmático ao assumir que esse suporte “ajuda” nas várias frentes mas que ainda assim, o Cura é um projeto bastante independente. O chefe garante que a sua cozinha continua a ser a mesma que conhecemos no Alentejo e na Graça mas agora é apresentada numa versão melhorada. “A filosofia, a raiz é a mesma. O foco no produto de época continua lá mas agora com um certo arrojo em termos de técnicas e métodos. A música ambiente, a textura, o toque e todos os pormenores do restaurante foram pensados em linha com o tipo de cozinha em que acredito, que é cada vez mais simplista e integrada com o material onde coloco a comida”, explica.

A cozinha do chefe prova-se através três menus de degustação: o vegetariano Raízes (sete pratos), com uma seleção dos “melhores vegetais da época”, o Origens (12 pratos), “o mais completo” da experiência e o Meia Cura (sete pratos), uma versão mais pequena do menu anterior. Com foco nos produtos e nos produtores nacionais, apresenta pratos como o snack “Ecossistema Açores”, uma tartelete de lírio cujo peixe é primeiro seco, depois curado em salmoura e por fim fumado, servido com gel de pimento fermentado. Um prato inspirado pela recente viagem do chefe aos Açores. “Acho piada ao uso que nos Açores dão à pimenta da terra, que é ligeiramente picante e amarga, nos pratos de carne e peixe.” Ou como a lula (de Peniche) levemente cozinhada com óleo de bergamota, azeite de alho, molho com manteiga de algas fumadas, caviar e avelãs, um prato “com profundidade e umami” e que é uma versão melhorada de um prato antigo. Ou até o prato de vaca minhota, maturada a 50/60 dias, com puré de couve-flor torrada, manteiga torrada, levedura e rábano, “um prato super clássico e feito com produtos de época.” A harmonizar os menus há dois pairings de vinho e um soft pairing com sumos e bebidas fermentadas.

As expectativas são elevadas, afinal já há muito que se falava de um novo projeto de fine dining para o hotel nascido em 1959 e que encontrou numa antiga sala parte do seu futuro. Também muito se espera de Pedro, inclusive as estrelas que, se vierem, serão bem recebidas pelo jovem chefe. “Não é um objetivo mas sim uma consequência. Se vierem ótimo, é sempre bom para o panorama”, afirma. No imediato, Pedro mostra-se mais preocupado em consolidar o projeto e em ganhar consistência. Para tal, ajuda muito que os clientes façam a sua parte e “assumam os compromissos das reservas e não marquem uma mesa só para garantir que têm onde jantar”. Os no shows é umas das principais queixas entre os chefes de cozinha de hoje em dia e um problema que Pena Bastos pretende colmatar apelando à consciência dos comensais. “As pessoas vão ao Cura para ter uma experiência, não vão apenas jantar. Há um grande trabalho da equipa em gerir as reservas e preparar tudo para garantir que a experiência seja personalizada para o cliente. Nesse sentido, apelo a que tenham mais cuidado ao reservarem mesa e que sejam honestos.”

  •  

  •  

  •  

  •