José Avillez e Henrique Sá Pessoa partilham o acaso de, no espaço de cinco meses, terem aberto os seus primeiros restaurantes no estrangeiro, em pontos quase opostos da Ásia. Tasca, no Dubai, e Chiado, em Macau, são os nomes dos novos desafios dos chefes portugueses.

A notícia não surpreende ninguém. Com a boa fase que Portugal vive em termos gastronómicos, não é de admirar o crescente assédio a chefes portugueses por parte de grandes cadeias internacionais, casos do Hotel Mandarin Oriental Jumeira, no Dubai e da Sands Contai Central, em Macau. Nas linhas seguintes, o ETASTE conta-lhe o que já se sabe sobre os projetos asiáticos de José Avillez e Henrique Sá Pessoa.

Tasca, Dubai de José Avillez

Já há muito que se falava de uma primeira internacionalização por parte de José Avillez, chefe do bi-estrelado Belcanto e proprietário de 15 restaurantes em Lisboa e Porto. Março de 2019 foi a data escolhida pelo chefe português para abertura da Tasca, um restaurante de sabores portugueses com um twist contemporâneo. Localizado no sexto andar do luxuoso hotel Mandarin Oriental Jumeira, o novo espaço conta com duas cartas: uma de almoço, mais descontraída, com petiscos, pratos de peixe e marisco, pratos de carne, vegetariano e outros para dividir; e uma de jantar, de igual formato da anterior mas com uma oferta mais vasta, sobretudo nas opções para mais do que uma pessoa. Destas tanto fazem parte clássicos portugueses, como as amêijoas à Bulhão Pato, o bacalhau à Gomes de Sá e o polvo à Lagareiro, como clássicos do próprio Avillez, caso das gambas do Algarve em ceviche e dos tártaros em forma de cornetos, de atum e de novilho. De referir também a incidência nas sugestões com produtos do mar, como são o arroz de lagosta e camarão, chili e coentros e a sopa de peixe com maionese de açafrão e alho.

A harmonizar tudo isto, há uma extensa carta de vinhos portuguesa e outra de cocktails, para aproveitar enquanto se avista a aparatosa skyline da maior cidade dos Emirados Árabes Unidos.

As gambas do Algarve de José Avillez, um prato que é possível encontrar noutro restaurante do chefe, o Mini Bar, com espaços em Lisboa e Porto. Foto: DR

Chiado, Macau de Henrique Sá Pessoa

A sua abertura foi discreta: aconteceu ainda em outubro de 2018, um mês antes de Henrique Sá Pessoa ver o seu Alma em Lisboa, receber a segunda estrela Michelin. Inserido no Sands Cotai Central, em Macau, Chiado é o segundo restaurante de autor deste gigantesco empreendimento que conta com vários hotéis, casinos, salas para eventos e ainda lojas de vestuário e de alimentação. Com o intuito de respeitar a herança portuguesa em Macau, Henrique não pretende “inventar muito” e garante querer oferecer “uma fusão do que faço nos outros espaços” em Portugal.

Num olhar atento à carta do Chiado, confirma-se a presença de pratos-estrelas de Sá Pessoa em Lisboa, casos do leitão confitado 24h com puré de batata-doce, pak choi e laranja e da sobremesa bomba de chocolate — ambos presentes no menu do Alma, ainda que com algumas variações. Também não falta o bacalhau à Brás com gema confitada, um clássico do Tapisco. Mas nesta ementa generosa, dividida por entradas, sopas e saladas, pratos de peixe e marisco, pratos de carne, vegetariano e sobremesas, há lugar a outras sugestões, casos do lombo de porco, com puré de maçã, grelos salteados e molho de vinho do Porto e da cataplana de camarão tigre com batata-doce, erva príncipe e gengibre.

Como não poderia deixar de ser, a lista de vinhos também é 100% portuguesa e conta com cerca de 80 referências, de norte a sul do país, mais regiões autónomas.

Na carta do Chiado, de Sá Pessoa, não falta o Bacalhau à Brás com gema confitada. Foto: DR