2016 foi um ano bom para a gastronomia portuguesa. Foram muitos os novos e arriscados conceitos a abrir e nomes fortes a surgir. O destaque vai mesmo para a chuva de estrelas Michelin, que em novembro pairou em Portugal, de norte a sul – nove restaurantes foram distinguidos pelo guia vermelho.

Para o novo ano, à semelhança do ano passado, há quem preveja um crescimento neste sentido – com mais restaurantes a serem distinguidos. Assim como a continuação do uso de produtos portugueses, de raiz, na confeção dos seus pratos. Alexandre Silva, André Silva, Ricardo Costa, Manel Lino, Vasco Coelho Santos e João Viegas falam do que esperar para os meses que se avizinham da cozinha lusa.

1. Valorização da origem dos produtos

Alexandre Silva, restaurante Loco, Lisboa

Foto: Paulo Barata

No seguimento do ano passado, o chefe do mais recém estrelado Loco acredita que clientes e profissionais de cozinha vão ter cada vez mais a necessidade de “saberem a origem dos produtos”. Seja da “farinha” do pão ou do “legume” no prato.  Tudo no Loco respira Portugal e o chefe espera que isso aconteça quando vai a outros espaços. “Não me interessa ir a um restaurante comer carne de porco à alentejana com ameijoas vietnamitas”. Sobre o panorama gastronómico, o chefe português acredita que o país tem bons conceitos, apenas “nos falta pensar mais nos produtos”.

 

2. Renascimento de produtos portugueses esquecidos

André Silva, restaurante Largo do Paço, Amarante

FOTO: Clementine/ Catarina Pires

A norte, André Silva concorda que é crucial fazer “renascer produtos portugueses que até agora se encontram esquecidos”. A tendência para este ano é “valorizar” o produto português e deixar de andar atrás de países como “França e Espanha”. Claro que é importante ter “referências internacionais na carta” mas também o é “ter uma boa petinga ou uma feijoada à moda do Porto reinventada”, acrescenta. Uma (boa) petinga que às vezes, torna-se mais difícil de encontrar do que uma “lata de caviar”, confessa.

 

Ricardo Costa, restaurante The Yeatman, Vila Nova de Gaia

Fotos: Clementine/ Catarina Pires

O chefe do The Yeatman, que recentemente chegou às duas estrelas, no guia vermelho, concorda com André Silva, na valorização de produtos que tenham que ver com a “identidade portuguesa”. Essencial é também saber sempre (e muito bem) a “origem das coisas” e as “histórias por trás de cada prato” que mostrem aos clientes que “somos portugueses”.

 

3. Mais restaurantes divididos por temáticas

Manel Lino, restaurante Trio, Lisboa

FOTO: Humberto Mouco

O jovem chefe de 30 anos acredita que durante este ano vão crescer espaços “com cozinhas temáticas, por país” pois essa realidade começa a ser cada vez mais procurada e a gerar mais interesse por parte do público em geral. Para Manel Lino, a massificação dessas cozinhas vai “influenciar o que se faz noutros restaurantes, incluindo os de autor” onde se insere o seu Trio. E porquê? “Pode dar-nos a oportunidade de conhecer novos produtos”.

 

4. Maior uso de vegetais e produtos biológicos

Vasco Coelho Santos, restaurante Euskalduna, Porto

FOTO: Jour to Cook

O proprietário e chefe do mais recente restaurante de fine dining do Porto, Euskalduna, acredita que ao longo de 2017 vai existir um reforço da “alimentação saudável” na cozinha e consequentemente no uso de “produtos biológicos”. Vasco aposta também numa continuação na “reinvenção de pratos tradicionais” e no uso das “fermentações”.

 

João Viegas, restaurante São Gabriel, Almancil

FOTO: Humberto Mouco

O braço direito de Leonel Pereira, atualmente em estágio no Peru, no restaurante Central – que tem a inspiração na biodiversidade do ecossistema – acredita que estamos a entrar, cada vez mais, numa “onda fresca, verde e minimalista”- à semelhança do que defende Vasco Coelho Santos. Como? No uso de produtos “naturais e verdes, sem o exagero de gorduras saturadas e das carnes vermelhas”.

 

Top tendências gastronómicas para 2017

1. Valorização da origem dos produtos

2. Renascimento de produtos portugueses esquecidos

3. Aumento dos restaurantes temáticos

4. Maior uso de vegetais e produtos biológicos