O mundo da cozinha não era bem visto aos olhos dos pais, mas no sangue a paixão corria-lhe desde muito nova. Em pequena, enquanto a mãe dormia, ia para a cozinha fazer os seus próprios bolos. Estudou em Leiria, estagiou na Madeira, trabalhou na capital e no Porto. Mas isso não chegou. Vânia Soares, de 29 anos, voou para Nova Iorque aos 23 levando consigo a pastelaria portuguesa.

Quando no seu primeiro estágio, no Hotel CS Madeira Atlantic Resort & Sea SPA, Luís Brito, o chefe, lhe perguntou qual a área de que gostava menos, Vânia respondeu: “pastelaria”. O tempo avançou e, no final da temporada, acabou por se apaixonar pela “beleza e maravilhas” da doçaria e foi o momento em que sentiu exatamente aquilo que queria fazer na sua vida.

Aventureira desde cedo, quis explorar o máximo da sua área e, para isso, passou por vários locais que hoje diz terem sido muito importantes no seu percurso. Primeiramente, na ilha da Madeira descobriu a sua paixão pelas sobremesas e pela “arte da pastelaria”, mais tarde na capital, trabalhou no Feitoria e no Mensagem, no Altis Belém Hotel & Spa, onde aprendeu o “rigor, a precisão e a disciplina”. No Porto, estagiou no The Yeatman e no Sheraton Porto Hotel & Spa, que lhe deu os “os valores e ética da cozinha e da equipa”.

A sede de evoluir profissionalmente levou-a, em 2011, até à cidade que nunca dorme, apesar de “não saber nada de inglês”. Trabalhou no 42 The Restaurant, ao lado de Anthony Gonçalves, considerado pela TIME um dos “chefs of future”.

Desde que aterrou na grande cidade que admirava o trabalho de George Mendes. Em 2013, juntou-se à sua equipa como chefe de pastelaria do Aldea Restaurant, na baixa de Manhattan, premiado com uma estrela Michelin, por onde ficou cerca de um ano e meio. Para a jovem pasteleira, é importante aprender novas técnicas e para isso é preciso “estudar e pesquisar muito”. Nas suas criações, Vânia sempre tentou pôr no prato as suas raízes: “É uma maneira de demonstrar um pouco a minha cultura”.

Em 2015, regressou ao 42 The Restaurant, que hoje se chama Kanopi Events e é um espaço que acolhe cerca de 300 pessoas. Pensada para ocasiões especiais e celebrações, a ementa, feita em conjunto com o chefe Anthony, não esquece a pastelaria portuguesa com recurso a “técnicas modernas e cozinha molecular”.

A exploração de diferentes ingredientes, vindos da Ásia e do México, têm sido importantes no crescimento profissional de Vânia, que sente que tem vindo a definir o seu estilo de cozinha numa linha mais “moderna e criativa”.

As saudades dos amigos e da sua família são o maior desafio da sua estadia em Nova Iorque, assim, no futuro, Vânia não descarta a hipótese de regressar à sua terra natal. O seu sonho é abrir um “dessert bar” que, como o próprio nome indica, seria um espaço para sobremesas. Um conceito comum nos Estados Unidos, mas pouco explorado em Portugal.

*Portuguese Chefs Worldwide é uma rubrica que dá a conhecer profissionais portugueses, nas áreas da cozinha e da pastelaria, espalhados pelo mundo.