O desafio ao casal tinha graça. Iam receber amigos pasteleiros franceses e a ideia seria rumarem a Belém, casa dos originais pastéis e dar a nota técnica, o comentário ou o que mais surgisse. O que achariam a Alexandra e o Mathieu da nossa glória? Tinham sido colegas na pastelaria Laduré, em Paris, onde Alex ainda trabalha, Mat está agora no restaurante Lillas. A Andreia dá aulas na Escola de Hotelaria em Lisboa e o Telmo está com o Henrique no novo Alma, onde chefia a pastelaria. Chegados a Portugal há uns dois anos, continuam a tentar compreender o que se passa à sua volta, tantas são as comparações que convocam.
No dia combinado, com o ambiente lisboeta às costas, o fotógrafo Humberto Mouco faria a segunda parte. A última parte seria passar a escrito a coisa.
Tudo isto entre eles que nós, na redacção da INTER, tínhamos um tacho ao lume e não deu para nos encontrarmos. A Andreia, como bem comportada que é – engrossa a lista de desistências em vigor, face ao que seria o pastel já mencionado, procurou o de nata – rumou ao Chiado para mostrar o pastel vencedor do concurso, o da Manteigaria União.
Folhado em finas lâminas crocantes, perguntaram como e foi-lhes explicado que o folhado era aberto sobre a forma e a cozedura rápida com um choque térmico para cozer o creme e o folhado em simultâneo, sem que este último ficasse embebido. Os franceses acharam que a origem do dito era a França, claro! A massa folhada e o ‘flan’ (como lhe chamaram) eram elementos base da pastelaria francesa. Saboroso, simples, mas com técnica. Estava ditado o vaticínio.
