Antes da França ser estrelas Michelin, Nouvelle Cuisine e cozinha criativa, é a diversidade de produtos e receitas de incidência regional que torna a sua gastronomia tão extraordinária. A França, que moldou a sua cozinha através dos tempos entre a diversidade agrícola e a riqueza aristocrática, entre quem planta e pastoreia para viver e quem tem dinheiro para mandar inventar, adquire o estatuto de farol da gastronomia e da elegância à mesa. Durante alguns séculos foi assim, esta versatilidade regional associada ao advento da tecnologia aplicada à gastronomia assenta as bases da alta cozinha que conhecemos hoje, de que Escoffier, mestre cozinheiro francês no final do século XIX, é figura cimeira.

Mas não se pode compreender a cozinha francesa sem se mergulhar nas suas raízes. Nem neste país, nem em nenhum com tradição culinária, incluindo o nosso. A maravilha da França, como em outros tantos, assenta na profusão regional de sabores tão diversos de como os cozidos da Alsácia, as feijoadas da Occitânica ou as ervas da Provença, só para dar alguns exemplos.

O destaque desta crónica vai para a Aquitânia e o sudoeste francês, de que Bordéus é a sua capital. Embora esta cidade seja conhecida sobretudo pelos seus vinhos (tudo o que seja ‘à bordalesa’ tem na sua base o vinho tinto como ingrediente), a região é conhecida por uma variedade imensa de ingredientes que hoje são para todos os gastrónomos sinal de qualidade e elegância: as ostras, o magret de pato, o foie-gras ou a lampreia têm na Aquitânia grandes referências culinárias!

No centro de Bordéus encontra-se o ‘La Tupina’, restaurante de aspeto rústico e paredes brancas, com decoração caseira e várias salas dominadas por uma gigantesca lareira à entrada onde tudo se faz. Os grelhados, os cozidos, os caldos, os assados e até alguns fritos (os ovos) passam todos pela grandiosidade e subtileza deste magnífico espaço.

Não há cliente do La Tupina que entre sem se cruzar com esta monumental lareira que tudo transforma e que tantos sabores lhe vai oferecer à refeição. Nas ofertas culinárias, a essência da Aquitânia: o magret de pato, um autêntico bife de centenas de gramas grelhado ao ponto desejado pelo cliente e acompanhado por uma lasca de foie fresco é um dos destaques do restaurante. As costeletas de bovino, a roçar o quilo, também. O frango assado inteiro no espeto na tal lareira fica crocante por fora e delicioso por dentro. Na época, a lampreia. A acompanhar, batatas fritas na gordura do pato ou legumes de época salteados. Nas entradas, vieiras grelhadas ou ovos ‘rotos’ com foie-gras em vez de presunto. A lista de vinhos exclusiva da região, com exceção dos espumantes de Champagne, remata a experiência!

Uma refeição completa em cada uma daquelas salas do La Tupina, espaços intimistas e muito caseiros, deixam todos regalados com a experiência de uma viagem inteira à Aquitânia numa rua típica de Bordéus.

Contactos: 

La Tupina

6 Rue Porte de la Monnaie
33800 Bordéus, França