Paulo Amado conversou em vídeo para a terceira série do Boca Mole com Paulo Barata e Ana Músico (Sangue na Guelra, Amuse Bouche), Teresa Vivas (Mesa – Cultura Gastronómica) e Cláudio Pontes (Azor Hotel) para iniciar um tomar de pulso ao atual momento da restauração em Portugal. Agora surge a mesma conversa em formato entrevista. Ei-la de seguida.

Paulo Amado (PA): Boa tarde, bem-vindos a mais uma edição do Boca Mole, hoje estamos em direto com Lisboa e Ponta Delgada. Temos a Teresa Vivas que é uma personagem da gastronomia e o seu mais recente projeto das Tabernas do Alto Tâmega, o Cláudio Pontes que é chefe de cozinha e é também organizador do evento Vulcan & Fire e o Paulo Barata e a Ana Músico que na próxima segunda-feira, vão ter mais uma edição de Sangue na Guelra. Portanto. Lisboa e Ponta Delgada a fazer aqui um triângulo entre Santa Apolónia. Bom começo por ti, Teresa, tu que andas nestas andanças da gastronomia há muitos anos e recentemente fizeste sair cá para fora esta valorização excelente daquela zona do Alto Tâmega, fala-nos um pouco sobre isso.

Teresa Vivas (TV): Epá, pois então tivemos a sorte de podermos concorrer a um projecto do Turismo de Portugal para a valorização do interior e quando descobrimos aquele projeto ficámos completamente apaixonados. Eu falo no plural porque tenho um sócio que é muito discreto, mas que é um grande amante da gastronomia. Tenho pena que ele não queira mostrar um bocadinho mais dele porque é um excelente conhecedor, é engraçado porque é do interior e trabalha e mora em Lamego, portanto tem uma vivência muito diferente da nossa. E é uma pessoa muito sedenta por estas coisas e então decidimos concorrer a este projeto da valorização para o Alto Tâmega, de uma rede de tabernas que já existia e o projeto inseria-se na valorização do interior do Turismo de Portugal. Estas tabernas são algumas, sempre mais do que 10, nasceram em 2004 pela mão de uma associação de desenvolvimento local. É a única associação que tem uma rede de tabernas como objetivo e elas estavam um bocadinho paradas e, apesar de trabalhar, todas elas estavam um bocadinho independentes e faltava aqui alguma coesão. O nosso projeto foi muito abrangente, a nossa proposta foi muito abrangente, trabalha desde a parte da valorização do próprio empresário, ao dar-lhe alguma formação sempre na base do melhoramento. E depois foi a criação de uma nova imagem, de uma nova coerência de imagem e a comunicação desta rede. O quê que nós fizemos formámos uma equipa.

PA: Não me respondas a tudo na mesma pergunta. Nós já voltamos a ti. Vulcan & Fire, apresenta aí o evento.

Cláudio Pontes (CP): Isto nasceu porque eu pensei que poderia ser interessante juntar temperaturas geotérmicas com fogo. Convidámos uns chefes como o Renato Cunha e o Pedro Oliveira e foi uma brincadeira preparada numa semana, duas semanas e acho que correu muito bem. A uma segunda-feira enchemos um hotel com 80 pessoas. Epá foi muito, muito engraçado.

PA: Mas a vossa intenção era só juntar pessoas ou também queriam sinalizar a região ou os produtos?

CP: Não, a região, as furnas, a tradição de lá, fomos buscar pessoas com tradição de cozinhar só com essa técnica a e fomos tentar recriar receitas dessas pessoas e dos suas avós, tias. Opá essa parte foi a mais gira, a ideia era essa e é para crescer. Este ano supostamente vamos fazer um já dentro das caldeiras, mas acho que vai ser muito difícil. Para o ano…

PA: Logo se vê ainda não se sabe. Ana e Paulo. o Sangue na Guelra é um evento que já tem uns anos e já tem o seu público definido, tem uma perspectiva mais internacional verdade? E vem ai a próxima edição que também ela é especial?

Paulo Barata (PB): Internacionais, sim somos um bocadinho internacionais.

Ana Músico (AM): Olha Paulo, antes de mais, obrigada por nos teres desafiado para esta conversa com duas pessoas que admiramos e gostamos e de quem somos amigos. Depois o facto de ter esta componente mais internacional prende-se com o próprio nascimento do Sangue na Guelra, sabes que foi uma coisa muito espontânea aquelas casualidades da vida. O Paulo enquanto fotógrafo foi fotografar o Jamie Oliver a Modena, Itália, e o Jamie Oliver acabou por não aparecer, deu uma grande seca de não sei quantas horas ao Paulo. Então ele pensou, já que estou em Modena, na terra Massimo Bottura e sou fotógrafo, vou lá bater-lhe à porta.

PA: E a coisa correu bem e aí está o Sangue na Guelra.

AM: O Paulo, como bom português que é, no meio da conversa com o Massimo e a mulher dele, fartou-se de criticar o nosso país e quando se despediram,o Massimo disse-lhe que em vez de criticar o país, que fizesse qualquer coisa e foi assim que nasceu o Sangue na Guelra. O primeiro cozinheiro que convidámos foi o chefe do Massimo mas foi uma casualidade.

PB: A minha experiência enquanto fotógrafo sempre foi de fotografar imensos chefes estrangeiros e é daí que nasce este querer mostrar Portugal ao mundo e chamar o mundo a Portugal, tal como tu também fazes, Paulo. E agora surgiu-nos aqui um Sangue na Guelra de emergência e eu andei aqui a pensar o que é que íamos fazer e acrescentar.

PA: É só uma questão de gestão do público. Esta versão é digital, não é?

PB: É uma versão digital, isto para nós também é novo, um bocado fruto das circunstâncias, nunca o tínhamos feito. Estamos a apressar um bocadinho com esta história das ligações. saber se ninguém se esquece de aparecer à hora indicada. Estamos a trabalhar muito com os assistentes e os chefes, nesse caso. Hoje dizem uma coisa, amanhã já se esqueceram e esse é o desafio. Estava a sentir necessidade de ouvir o mundo inteiro em simultâneo foi um pouco isso, sabes? Espero que corra tudo bem

PA: Explica lá melhor como é que vai ser. As pessoas acedem a um site e podem ver? Como é que é?

AM: Isto vai ser um live streaming que vai passar em direto no youtube e na nossa página do Facebook, é um link que vai ser criado dentro de dois ou três dias e é nessa altura que nós vamos divulga-lo, mas muitas pessoas, muitas entidades vão ajudar-nos a divulgar esse link. Portanto. é uma questão das pessoas estarem atentas, é absolutamente gratuito. Posteriormente também vão ter acesso a estes vídeos, a estas conversas, mas para já vai acontecer dia 4 e 5 de maio. Nós vamos ter sempre duas personalidades ou três para conversar. Temos muitos portugueses e internacionais.

PB: Os portugueses que não entram, peço desculpa, é impossível marcar toda a gente.

AM: Mas sim, sentimo-nos super honrados pelas pessoas se entusiasmarem e quererem participar e somos sempre o mais abertos possíveis a isso.

PB: Tentamos ser abrangentes e vamos ver o que é que acontece.

AM: As coisas aconteceram muito rápido, não estávamos à espera de obviamente chegar a nomes neste cartaz, mas um entusiasmou-se e ligou a outros e de repente eu e o Paulo ficamos what?!

PB: Sim, houve imensa solidariedade em todo este processo.

AM: É um bocadinho o espirito que estamos a viver.

PB: A solidariedade está a vir muito ao de cima com esta crise.

AM: Apesar de nós termos aqui grandes nomes da gastronomia mundial e nacional, vamos ter aqui pessoas que têm muito a dizer, nós procurámos fazer uma iniciativa que seja inspiradora sobretudo para as pessoas que estão perdidas e que não estão tão ligadas como nós. Temos aqui uma comunidade forte, trabalhamos muito na área, na área dos eventos, da comunicação, da restauração, mas há muitas pessoas que não estão tão ligadas. que não têm a oportunidade de trocar ideias de ouvir. Nós também achamos, Paulo, que estes talks que tens feito com os chefes e com muitas outras pessoas foram e são importantíssimas. Eu tenho recebido esse feedback de pessoas que estavam às escuras. Porque muita gente perdeu tudo e ficou completamente às escuras. E o nosso objetivo aqui, apesar de termos outro tipo de convidados, é também inspirar esta enorme comunidade sobretudo da restauração independente que é aquilo que nos preocupa.

PA: Este programa vai para o ar na sexta, já podemos ter o link para o programa.

AM: Ok, obrigada.

PA: Há alguma coisa que queiras dizer, Teresa?

TV: Quero, gostava de mudar de lugar contigo uns minutos. E gostava de te perguntar a ti o que é que tu vais fazer agora com os teus congressos? Como é que tu vês no futuro?

PA: Eu estou perante o mesmo desfio que a Ana e o Paulo que é o de continuar a ter eventos com pessoas só que em novas realidades. Nós temos uma sucessão de eventos e portanto agora estamos a tratar daqueles que teríamos que tratar para a Food Week, por exemplo. Dava-nos um prazer gigante fazer as Food Week, uma festa repetida e tudo isto vem impedir de fazer. Decidimos fazer uma home edition. Então vamos fazer a Porto Food Week do delivery e do take away. É na mesma aquela ideia da festa e do restaurante só que é em casa portanto há-de haver os jantares especiais só que são entregues em casa. As conversas, os debates. Sobre o Congresso andamos a ver hipóteses, mas não sabemos como é que vai ser. Estamos com esta possibilidade nova de fazer de uma maneira digital que já a absorvemos. Já vai acabar nesta sexta-feira o estado de emergência… Não sabemos quando é que os restaurantes vão abrir. Vai ser anunciado em breve. As coisas estão a mudar. Neste momento conseguimos decidir a um mês mas a tantos meses ainda não conseguimos decidir, estamos a trabalhar nisso.

AM: É o que nós temos sentido aqui e o que sentimos… Cada dia há informação nova, cada dia há sensações novas, cada dia há perspectivas novas e isso torna uma navegação à vista como dizia no outro dia o Rui Sanches, é assim que estamos a trabalhar. Cada dia decides uma coisa, é um enorme desafio. Eu e o Paulo não vemos como um problema digamos assim, mas não há duvida que tem sido um desafio esmagador.

PB: No nosso caso, enquanto organizadores de eventos, tem sido muito difícil e só mesmo perto é que conseguimos perceber o que vamos discutir ao certo.

AM: Como é que vamos juntar as pessoas…

PB: Nós, para já, marcámos para o Museu do Oriente numa sala fechada.

PA: Então esta edição de Sangue na Guelra de emergência é um momento mas depois vão ter o simpósio mais à frente?

AM: Sim, mas este não era o nosso simpósio, Paulo. Aliás nós convidámos a Teresa, porque nos apaixonámos pelo próprio projeto dela.

PA: Ok, é complementar ao outro, vamos dizer. Teresa, o teu projeto, como é que ele segue? Como é que consegues fazer esse propósito de sinalizar a região e de gerar promoção saudável? É possível neste estado?

TV: Olha é uma questão que me coloco todos os dias. Nós, neste momento, estamos um bocadinho parados e vou explicar porquê. A captação de imagens eu acho que é das únicas coisas que nós conseguimos promover por levarmos as tabernas às pessoas. Em vez das pessoas irem às tabernas neste momento é completamente impossível irmos lá em cima e captarmos imagens. Portanto estamos a preparar um documento um bocadinho maior, uns documentários um bocadinho maiores para que durante estes dois anos vai ser tão fácil levar a comunicação lá a cima e ela consiga chegar às próprias. Eu acho que vai levar ainda algum tempo. Isto não é pessimismo eu acho que nós temos que nos adaptar à realidade.

PA: Dois anos para fazer o projeto?

TV: Eu tenho mais um ano para trabalhar lá em cima, mas eu duvido que haja uma liberdade tão grande de nos metermos num carro e irmos seis pessoas para fazermos uma jantarada numa taberna do Alto Tâmega como nós fazíamos. Portanto a minha ideia será sempre promover as tabernas com aquele bichinho do tenho que lá ir. Há várias coisas a favor, eu sei que estás a fazer essa cara mas…

PA: Estou desejando que tu estejas enganada. Há-de demorar o seu tempo mas que não sejam dois anos.

TV: Olha eu espero muito bem que sim, mas eu prefiro trabalhar com a realidade para poder trabalhar nela, mas enfim daqui a seis meses nós estamos preparados para ir lá a cima, porque vai haver outro inverno. Eu neste momento estou completamente parada, estou a tratar do que hei-de fazer nos próximos dois meses. Em maio vou lá a cima e vou captar as tais imagens. Vou complementar o portefólio que já tenho. Tenho um portefólio maravilhoso e portanto é fazer com que as tabernas entrem em casa das pessoas em vez do contrário e que as pessoas fiquem com vontade de ir. Há várias coisas a favor, uma delas é a desertificação daqueles locais onde a densidade é menor portanto pode ser um ponto a favor para irmos lá acima, mas eu prevejo que é ao contrário daquilo que acontecia. E isto merecia uma explicação prévia, é que para ires a cada uma das tabernas do Alto Tâmega precisas de marcar. Nós vamos a casa das pessoas e as pessoas cozinham como se tivessem a cozinhar para elas. Portanto é sempre uma experiência de quase “entre na minha casa e coma aquilo que eu estou a comer”.

PA: Teresa, diz-me agora que estás mais sensível a esta temática. se existe no país outro tipo de caso parecido a esses restaurantes ocasionais que só abrem assim por marcação. Nunca tinha ouvido falar de nada parecido.

TV: Assim em rede não existe mais nada, sem ser em rede também existem muito poucos. Eu agora tenho estado a tomar conta, mas são muito poucos e a visibilidade não é quase nenhuma porque na verdade a rede de tabernas nem se quer tinha um site que as agregasse a todas e que tu pudesses fazer a gestão de onde é que queres ir, como é que queres ir que percurso é que queres fazer, o que é que queres comer. Enfim não, não existe.

PA: Bom, Cláudio, fala-nos mais das singularidades da tua afirmação. Estás aí nos Açores, fizeste esse evento para valorizar uma região… Conta-nos lá mais sobre essa região que tu tanto gostas, o que é que tem os Açores de singular? Antes de mais, puxaste o nome para o vulcão.

CP: Vulcan como se diz com pronúncia das Furnas. Os Açores não é só São Miguel… E sempre que convido cá os chefes, trabalhamos com produtos de várias ilhas. A nível de peixe considero o melhor peixe do mundo temos a qualidade, a frescura e estamos a ser maltratados na apanha dos peixe a nível de espanhóis, estamos a ser invadidos basicamente.

PA: Tanto quanto sei as coisas nem sempre estão disponíveis para vocês, não é?

CP: Olha, é mais fácil comprar peixe dos Açores no Continente do que aqui nos Açores.

PA: Porque é que isso acontece?

CP: Porque o peixe aqui sai barato e é mais fácil de vender aí no mercado no Continente, apesar dos transportes. Acho que não é justo o valor de peixe que compras cá. Tudo deriva dos clientes que nós temos também. Nós temos clientes que 20 já é chato pagarem alguma coisa.

PA: Olha e tu achas que o teu evento pode de alguma maneira ajudar a sublinhar, a defender as causas? Como por exemplo, essa que estás a dizer.

CP: Não sei, acho que sim, porque as Furnas é o mais visitado de São Miguel e no Verão aquilo chega a ter lá quatro mil, cinco mil pessoas lá a passear.

PA: Sim mas o que eu digo era essa causa, por exemplo, do peixe dos Açores. O peixe dos Açores para os açorianos… se tu achas que através do teu evento tu consegues sinalizar isso. Se consegues de alguma maneira inverter essa tendência, contribuir para que se fale sobre o tema.

CP: Quero querer que sim. Eu falo, o chefe convidado vai falar, os chefes locais vão falar. É educar os clientes basicamente e acho que estamos a conseguir devagar. Eu não trabalho com produtos com pedigree, como tu sabes. Trabalho com o peixe sem valor comercial eu agora estou a tentar desenvolver o peixe lagarto que é um peixe da rocha, que ninguém conhece, e os clientes têm num bom feedback. Perguntam “onde é que eu compro esse peixe? Eu nunca tinha comido esse peixe.” Isso é que é engraçado localmente haver essa procura.

PA: Olha mas fala-nos lá um bocadinho mais sobre o evento, isso é uma molhada em que está toda a gente na celebração da gastronomia ou alguém pára ali um bocado para dizer alguma coisa?

CP: Não, nós paramos, falamos um pouco de qual é o conceito.

PA: Do ponto de vista do programa há mesmo uma apresentação, é isso?

CP: Há uma apresentação para eles perceberem o que se está a fazer ou qual é o produto que cada chefe está a trabalhar e é comunicado nisso cada vez mais.

PA: Ok, Ana e Paulo, agora é que é a hora de falarem das vossas causas, este vosso evento próximo está envolvido em uma causa que já sintetizaste aqui, o tema do momento presente e de se contribuir para um espírito melhor. Falem-nos um pouco mais sobre isso.

PB: Deixa-me só dar aqui uma nota à Teresa Vivas. Teresa, conta com a nossa solidariedade para ajudarmos a divulgar a vossa causa também. Daqui a seis meses prometo que encho dois carros com cinco pessoas cada para irmos lá. Ou seja 10 no total.

TV: Deus queira que sim.

PB: Podemos ir visitar a tua tasca mas se calhar almoçamos na rua qualquer coisa assim com as devidas distâncias, mas agora dois anos é muito e temos que aprender a conviver com esta realidade. Poderá voltar não é? Poderá ser sazonal como muitos cientistas já o disseram. Quero te mais positiva Teresa Vivas, dois anos é muito tempo.

TV: Mas eu não estou nada negativa.

PA: Não, daqui a dois anos está tudo bem, isso não era negativo.

CP: Acho que aqui para os Açores dois anos é bem provável, acho que vamos sofrer muito. Na primeira reunião que tivemos todos diziam que os Açores iriam ser o boom, mas nós estamos há quatro, cinco anos com esse boom, nós em quatro anos crescemos tanto como a Madeira. A Ryanair já está a ameaçar não vir para cá voar, a Delta Airline foi-se, a TAP cai não cai, a SATA não se sabe e isso vai ser muito complicado. Não quero acreditar nos dois anos, mas um ano e meio, pronto.

AM: Eu queria só deixar-vos uma nota: não podendo antever quero acreditar no seguinte, há muita inteligência e a maior inteligência do mundo está a trabalhar na ciência, gestores, especialistas, economistas, matemáticos, médicos estão todos a trabalhar e nós também temos que trabalhar. Nós temos uma capacidade de resiliência brutal e vamos superar isto. Nós vamos seguir as nossas vidas para a frente.

PA: Tal como as companhias aéreas, algumas vão fechar outras vão reavaliar toda a sua situação. Eu li agora uma notícia que os gregos querem já abrir o espaço aéreo e promover o turismo este verão. É claro que estão a tentar chegar a parâmetros. Provavelmente os clientes têm que fazer o teste antes de virem do seu país. Há aqui uma série de coisas. É mais fácil controlar uma doença destas numa ilha que aqui no continente e quero acreditar que também vamos para os seis meses.

AM: Eu acho que vamos até ao surgimento da vacina e um tratamento eficaz.

TV: Eu acho que dois anos é o pleno, é nós voltarmos a ter aquilo que tivemos em janeiro. É o pleno, mas até lá muita coisa vai acontecer, eu não sei.

PA: Sobre o nosso Algarve, tivemos ontem e hoje notícias do interesse dos ingleses em voltar para lá. Sinceramente fiquei com boa esperança que as coisas hão-de retomar à normalidade possível, mas voltemos às causas do Sangue na Guelra.

AM: Está difícil, Paul,o sabes porquê? Porque as causas são todas essas que nós estamos aqui a conversar. Sempre tivemos uma preocupação em relação à sustentabilidade sempre fomos sensibilizados para isso por muitas pessoas com quem convivemos, por muitos speakers que convidámos em que eles próprios foram introduzindo o tema e obviamente que o tema tornou-se no tema. Repara que nós agora não podemos viver do turismo tradicional, nós vamos viver mais de nós próprios. Por isso é que eu dizia há bocadinho que um projecto como o da Teresa faz ainda mais sentido e as Furnas… E atenção que a comunicação social é importantíssima nesta equação para divulgar as motivações. Por isso, Paulo, os temas vão andar aqui, é navegação à vista, nós não temos uau vamos ter aqui um grande tema que vai ser incrível, mas não.

PA: Este está a ser o desafio, nós estamos a soltar tópicos para os nossos convidados e acho que é por aí, é cada vez mais o ambiente e a sustentabilidade, faz todo o sentido. Deixa-me ir só aqui a este programa que vamos ter para a semana. Decidimos juntar aqui duas pessoas que conhecemos muito bem e que admiramos imenso e que são dois grandes restaurantes. Estes dois restaurantes têm que ser vistos como algo a seguir e espero que a sustentabilidade venha de vez e não seja só uma onda ou algo que fica bem dizer.

AM: Os chefes também vão olhar para as questões da sustentabilidade de maneira diferente, mas lá está, queremos ouvi-los.

PA: Do ponto de vista prático isso vai ser na língua original das pessoas que vão falar, verdade?

AM: Isto vai ser praticamente em inglês porque nós misturámos aqui portugueses com muita gente de fora e então o inglês é a língua. Só temos um bloco que será em espanhol com o Andoni e com o Joan Roca.

PB: Vamos personalizar uns vídeos com legendagem também.

PA: Depois esse material vai ficar disponível mais tarde, é isso?

AM: Vai, vai absolutamente. Epá, eu e o Paulo temos tido uma dúvida que é “Ok, nós reunimos estas pessoas, vamos ouvir coisas muito interessantes e vai ser inspirador”, mas não temos tido sequer ainda o tempo que precisaríamos para saber o que é que vamos fazer no futuro.

PA: Eu tenho essa vontade de arranjar um nome para isso que é Documenta Gastronómica, que é o que fomos acumulando, disponibilizar o que temos, o que os outros possam ter e que queiram ter ali debaixo daquele chapéu para estar disponível para os outros.

AM: Faria sentido. Olha, podemos falar depois sobre isso, nós não queremos fazer isto por fazer. E no dia seguinte acabou não é? Sentimos que vamos ter aqui um património de conhecimento, de experiências e ideias para o futuro sim.

PB: Temos pensado, eu e a Ana, como perpetuar esta iniciativa e acho que faz todo o sentido tentarmos voltar à carga mas é claro que as pessoas já não vão querer estar em casa, vão odiar estar em casa, mas seria muito interessante continuarmos a conectar um pouco para sabermos o quê que cada um está a fazer, há países que estão atrasados relativamente a nós e outros estão adiantados e irmos partilhando esta reaberturas em timings diferentes.
Também há poucos dias estava a falar com o Virgílio Martinez e ele estava a entrar agora para o take away e a perguntar-nos como é que tinha corrido o take away em Portugal. E nós já estamos a abandonar um pouco o take away. Há muitos chefes que vêm que não há lucro suficiente, que não lhes compensa estar a pagar água, luz e gás. Portanto estamos em timings diferentes e isso é fantástico partilhar esta informação em tempo real.

AM: Mais do que isso pode fazer aqui sentido também uma troca de informação internacional. Epá há muita coisa que se pode fazer aqui.

PA: Olha, outro tema é o preço. Não vai ser preciso pagar para se poder participar, não?

AM: Não é completamente gratuito basta linkar, nós temos dois links um para youtube e outro para Facebook e portanto as pessoas entram e nós não podemos cobrar, nem faria qualquer sentido. Epá o Sangue na Guelra também caminha nesse sentido. nós temos vindo sempre a descer o valor do simpósio, ao contrario daquilo que é a norma e a prática. Sempre tivemos esta vocação para aparecermos como os segundos, somos os braços-direito dos chefes e vamos pô-los em primeiro plano e pronto, sempre quisemos trabalhar com eles e epá e tem que ser acessível para toda a gente.

AM: Quando é que é Cláudio?

CP: No ano passado fizemos em dezembro, estavam dias espectaculares e já fizemos em junho, portanto está tudo parado.

PA: Mas tens algum Facebook ou Instagram?

CP: Tenho publicado só no Furnas Boutique Hotel e no meu facebook, mas sim falta comunicação….temos que fazer, porque fazer sem projeção já percebi que não dá.

PA: Agora quem ficou interessado tem que acompanhar o Cláudio Pontes no Vulcan & Fire nas redes sociais.

CP: Exatamente.

PA: Como é que nós podemos saber mais sobre o trabalho das tabernas?

TV: Olha, nós criámos o site que é TabernasdoAltoTâmega.com, temos facebook e temos o Instagram, portanto temos tudo. Nós para desenvolver o projeto convidámos várias pessoas que eu gostava muito de falar aqui. Convidámos a Cláudia Cunha que a maior parte de vocês conhece, outros não, ela fiz o trabalho da recuperação da imagem das tabernas do Alto Tâmega. As fotografias são do nosso Humberto Mouco como vocês vêm e tem sido uma viagem de companheirismo brutal porque estamos os dois a ressacar de não ir ao Alto Tâmega e o nosso Vitor Hugo Adão. Eu nunca tinha ido ao Alto Tâmega e precisei de alguém que conhecesse bem o território e que tivesse a mesma linguagem e eu não poderia ter escolhido melhor porque realmente o Adão é um transmontano, um apaixonado pela região e depois é uma pessoa muito ligada à agricultura. E o Nuno Diniz que tem aquela paixão por uma razão. E portanto convido toda a gente a ir ao Alto Tâmega.

PA: E terminamos com esta declaração de uma apaixonada. Segunda-feira que vem temos Sangue na Guelra, mais tarde teremos o Vulcan & Fire e continuamos a ter as Tabernas do Alto Tâmega. Portanto, muito obrigado a todos.

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