No início do novo ano, as cidades de Lisboa e Porto preparam-se para receber pelo menos dois restaurantes onde o fogo será o único elemento responsável por toda a confeção da comida.

Alexandre Silva foi o primeiro a adiantar a novidade ao ETASTE, apesar de em bastidores, já se saber da decisão do chefe do Loco de abrir um novo restaurante, na capital, e com este conceito associado. Fogo — assim se chama — estará localizado na Avenida da República e terá Manuel Liebaut (responsável do laboratório I+D do Loco) a liderar a cozinha. A este vai juntar-se Ronald Sim, atual subchefe do Burnt Ends (Singapura), onde Liebaut aprendeu sobre a arte do fogo, ao lado de David Pynt.

Sobre o restaurante, sabe-se que terá quatro metros de ação com fogo aberto, forno a lenha, grelhadores e utensílios que permitirão assar animais inteiros, à vista dos clientes. “Iremos ter pratos fixos, mas o menu não será fechado, todos os dia teremos uma oferta diferente, mediante o que nos seja trazido pelos produtores. E queremos aproveitar todo o animal, não só as partes que estamos habituados a consumir”, desvenda Alexandre.

No Porto, é na Avenida dos Aliados que Ricardo Dias Ferreira, um português há vários anos a trabalhar na Austrália, vai realizar o sonho de abrir o seu primeiro restaurante, Elemento. “Imagina como cozinhávamos antes: sem qualquer recurso à tecnologia, ao gás ou à eletricidade. Só com o fogo como elemento e utilizando apenas lenha, caruma, palha, pinhas e brasas”, revela, apontando a data provável de abertura do espaço para janeiro.

O facto de em Portugal, no mesmo espaço de tempo, abrirem dois restaurantes com este conceito em particular não é assim tão surpreendente. E pelo nome do novo projeto do grupo Sea Me — Meat Me – Assador Moderno — chegará muito em breve um terceiro, este na zona do Chiado, em Lisboa.

Este tipo de cozinha, onde o potencial dos produtos é explorado através da grelha, é uma tendência. O facto de ainda há duas semanas ter acontecido em Cascais, a primeira edição do Chefs on Fire, um festival onde alguns chefes puderam cozinhar à volta de uma literal fogueira, é prova disso.

Asador Etxebarri e Elkano, no País Basco ou D. Julio, em Buenos Aires são alguns dos casos estrangeiros mais conhecidos a praticar esse tipo de cozinha mais arcaica, incluídos na lista World’s 50 Best Restaurants. E quando se fala em grelha, o mais comum é ver esse conceito associado a steakhouses, de que são exemplos os restaurantes Sala de Corte, Rib Beef & Wine e Nogueira’s (estes dois últimos com espaços em Lisboa e no Porto). No caso dos projetos de Alexandre Silva e Ricardo Dias Ferreira, também o peixe, o marisco e os legumes terão destaque.