Foi por cima de dois troncos de madeira, que pintam o cenário da entrada da Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre, que conversámos com Tiago Santos. Ao fim de um ano e meio à frente do Areias do Seixo, em A-Dos-Cunhados, o percurso do chefe chegou ao fim.

O chefe, de 29 anos, revela que sempre olhou para o Areias do Seixo como um restaurante com potencial para ser uma referência a nível mundial. Até aqui, o trabalho desenvolvido foi sempre ascendente e evolutivo e no final do ano que ficou, sentiu que a sua equipa atingiu a plenitude máxima. “Não consegui nada sozinho, foi coletivo”, revela e acrescenta que houve muita gente que sofreu para o projeto andar, como Rui Mira, o seu braço direito e Nelson Freitas, o sub-chefe. “Demos tudo aquilo que tínhamos a dar”.

“Não tenho remorsos, nem pena”, diz enquanto aproveita este tempo para pegar em projetos pessoais que até então, não tinha tempo para se dedicar. No horizonte, tem nos planos lançar um livro sobre a cozinha tradicional portuguesa, cozinhar em Nova Iorque no final do ano e, quem sabe, caso surja a oportunidade, “abraçar novos projetos” que correspondam às suas ambições.

As nuvens encobrem o sol que já começa a pôr-se e, no céu, a cor avermelhada adivinha um dia de verão para amanhã. Tiago coloca o capacete e debate-se para fechar o banco da mota. Tira o descanso e arranca. Já na estrada, ainda sobra tempo para olhar trás.