De porta e janelas abertas para Lisboa, a Sala de Corte volta a apresentar-se no Cais Sodré, a escassos metros do anterior espaço. O novo restaurante reabre após sete meses de ausência, em pleno verão, e traz novidades na carta e no espaço – agora maior.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Sala de Corte
Chefe: Luís Gaspar. Passou por vários hotéis em Lisboa e Cascais. Chegou ao Grupo Multifood em 2013, onde entretanto assumiu funções nos restaurantes Cais da Pedra e Henrique Sá Pessoa – Mercado da Ribeira. Atualmente, é o responsável pelas cozinhas da Sala de Corte e da Casa Lisboa. É ainda chefe consultor nas mercearias Delidelux – também na capital.
Conceito: Steakhouse
Dica: Uma das grandes novidades do novo espaço é a possibilidade de fazer reservas. Não se esqueça deste pormenor antes de pensar em visitar a Sala de Corte
Morada: Praça D. Luís I, 7. Lisboa
Telefone: 213 460 030
Horário: Aberto de domingo a quinta-feira, do 12h às 15h e das 19h às 24h. Sexta e sábado, do 12h às 15h e das 19h à 1h

Na ideia

O chefe Luís Gaspar e o empresário Rui Sanches, presidente da Multifood – grupo que detém a Sala de Corte – já andavam de olho num novo espaço para o restaurante (aberto em 2015) há bastante tempo. A oportunidade de mudar a steakhouse para uma morada diferente surgiu apenas mais cedo do que pensavam. É que o espaço que albergava o antigo restaurante, acabou por ser vendido “para dar lugar a um hotel”, confirma-nos o chefe. “Sabíamos que tínhamos de sair dali porque a Sala de Corte iria crescer de qualquer das maneiras. Tínhamos era um outro conceito planeado para lá e que agora vai para outro lado,” explica Luís Gaspar, que aos 27 anos, já soma no currículo, o título de Chefe Cozinheiro do Ano, ganho em 2017, e a responsabilidade da gestão de mais três espaços na capital (a recente Casa Lisboa e as mercearias Delidelux, em Santa Apolónia e na Avenida da Liberdade). Na recente morada, as obras começaram há cerca de dois anos, conta Luís. “Pelo estado em que o espaço se encontrava, devia estar vazio há alguns anos.” Desde do anúncio da mudança de localização e fecho do espaço, a 31 de dezembro de 2017, passaram sete meses, tempo que o chefe confessa “ter sido demais”. Apesar dos atrasos, serviu 60 jantares logo na noite de reabertura, a 18 de julho. “As pessoas já tinham saudades”, diz orgulhoso.

A câmara de maturação onde a carne descansa ganhou novas dimensões. Foto: DR

A câmara de maturação onde a carne descansa ganhou novas dimensões. Foto: DR

No espaço

Quem se lembra do antigo espaço, denota as semelhanças evidentes. O restaurante é o mesmo, mas está maior. De 28 lugares passou para 66, que se juntam a mais 30, no pátio – uma novidade. A câmara de maturação da carne continua lá, logo à direita, mas com o dobro do tamanho. Por lá descansam as várias peças disponíveis na carta, com vários tempos de maturação e indicações na etiqueta, do dia do abate do animal. Ainda desse lado, encontra-se o famoso balcão, de frente para uma cozinha aberta. À volta, tudo o resto parece igual: os tons dos pormenores a amarelo e castanho, as mesas de mármore, as cadeiras de madeira e os sofás largos, característicos do anterior espaço. “Tínhamos receio de não conseguir reproduzir o conceito da antiga Sala de Corte mas ficou tudo muito mágico! Em termos estéticos, está super especial. Todos os clientes antigos comentam que o ambiente mantém-se intacto”, comenta Gaspar.

Transportar a "magia" do anterior espaço foi uma preocupação de Luís Gaspar e Rui Sanches. Foto: DR

Transportar a “magia” do anterior espaço foi uma preocupação de Luís Gaspar e Rui Sanches. Foto: DR

Na mesa

São oito os cortes para escolher, servidos na tábua. Nos de partilha, onde se incluem as novidades T-Bone (que inclui as partes do lombo e da vazia), Chuletón Galego e Rabada Minhota Galega (que inclui maminha, picanha, alcatra e pojadouro), os clientes são agora convidados a ir diretamente à câmara de maturação para escolherem a peça pretendia. De seguida, como num talho, esta é pesada na balança e apresentada com o respetivo preço. Após confirmação, a carne segue para o josper, uma espécie de grelha a carvão 100% vegetal com um forno de altas temperaturas, que realça “a textura, o sabor e a suculência tradicionais da brasa”, explica o chefe. As novidades de partilha juntam-se aos já existentes cortes da Vazia, Picanha, Entrecôte, Lombo e Chateaubriand. A maturação, antes de 21 dias, atinge agora os 30 em quatro das carnes, dando “uma maior intensidade de sabor e consciência no produto final.”

Mas nem só nas carnes há novidades. Nas entradas, por exemplo, há agora um folhado de queijo de cabra e um Ovo a 64º – que migra da Casa Lisboa. Nos acompanhamentos, junta-se o arroz de feijão, a outras opções já conhecidas, como o puré de batata com azeite de trufa ou a salada de endívias. Nas sobremesas, há para provar a novíssima de ananás dos Açores na brasa com gelado de carvão vegetal, a mousse de chocolate, sabayon de whisky e avelã ou ainda o falso crumble de caramelo. Na ementa mantêm-se os pregos (da vazia, de entrecôte e do lombo), o bife tártaro do chefe e o tradicional hambúrguer com ovo, queijo e barriga de porco fumado.

A janela de antes, onde os barmen da Sala de Corte serviam os cocktails, mantém-se e há até um novo menu de snacks criados para um petisco ou dois, antes do jantar e umas cadeiras para sentar, enquanto espera por um lugar. “Com estas novas opções queremos aumentar a experiência gastronómica do cliente. Comer um carpaccio sentado não é o mesmo do que comê-lo em pé. Agora há coisas mais práticas para degustar.” São os casos do rissol de presunto Pata Negra ou da focaccia de enchidos nacionais. A juntar às novidades, estão oito cocktails, criados por Fernão Gonçalves (chefe de bar do Pesca, em Lisboa – um dos muitos restaurantes da Multifood) e dezenas de sugestões vínicas.

A tábua de Rabada Minhota Galega, uma das novidades da carta. Foto: DR

A tábua de Rabada Minhota Galega, uma das novidades da carta. Foto: DR