Um segundo inquérito da AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal sobre o impacto da Covid-19 na atividade turística (alojamento turístico e restauração e bebidas), realizado entre 30 de abril e 1 de maio de 2020, apurou 1722 respostas válidas.

No atual momento, 79% das empresas refere já estar encerrada sendo que cerca de 27% ponderam avançar para a insolvência. Dessas, 32% não conseguiu pagar salários em abril e 12% apenas pagou uma parte.

Cerca de 59% das empresas recorreram ao lay-off, e dessas, cerca de 76%, à data de 30 de abril não tinham ainda recebido o apoio da Segurança Social. Apesar disso, 90,5% pretendem renovar essa ajuda. Já as empresas que recorreram a outros apoios financeiros, e com processos aprovados, à data do inquérito, 67% ainda não tinham o dinheiro disponível.

Por último, 20% das empresas não vão reabrir a 18 de maio, por culpa da limitação da capacidade a 50%. Recorde-se que nessa data, todos os estabelecimentos de restauração e bebida poderão reabrir portas por ordem do Governo, ainda que mediante certas regras. Duas delas já conhecidas são a lotação limitada a 50% e o funcionamento permitido apenas até às 23h. As restantes constarão do ‘Guia de Boas Práticas’ que a AHRESP já apresentou ao Governo no dia 24 de abril e que aguarda validação.

Recorde-se que na semana passada, numa conferência online, Ana Jacinto, Secretária-Geral da AHRESP, perante a preocupação do setor, garantiu que o Guia é “totalmente exequível”. A responsável declarou ainda que a Associação encontra-se em conversações com o Governo acerca da necessidade de apoios financeiros para quando os restaurantes abrirem.

O chefe João d’Eça Lima, do restaurante Xisto, em Coimbra, admite que será um dos que não vai reabrir o restaurante na data indicada, justificando não ter até então “aprovadas as orientações de higienização e controlo funcional para poder prever e antecipar, assim como organizar a necessária restruturação para funcionamento do restaurante”. Por isso mesmo, pretende aguardar o tempo “necessário” para um planeamento que dê “verdadeiramente” confiança ao cliente para regressar.

“Por medo, pela incerteza, pela incapacidade de enfrentar a falta de apoios com fundos próprios mais do que esgotados, pela ausência de informação e pela dificuldade de planeamento sem orientações, percebemos que reabrir o restaurante será um desafio complexo e que precisará de uma capacidade de resistência muito maior nos próximos tempos. Acredito que, se formos a ver, estes números presentados pela AHRESP estão ainda abaixo da verdadeira e dramática situação em que a restauração se encontra neste momento”, concluiu.