A iniciativa Mesas Bohemias obriga os restaurantes a mudarem de cidade. A um preço incrível serve-se um menu cervejeiro e o povo agradece. A sala enche e o serviço público continua.

As cozinhas Bohemias têm Rodrigo Menezes – foodie, ex-concorrente do Masterchef e o atual responsável pela Academia Time Out, no Mercado da Ribeira – como a face mais visível. É verdade que ali estão também José Silva, o homem dos vinhos e gastronomia e o chefe Nuno Diniz. Este último convencido e bem, que por aqui passa do que mais alto se faz em gastronomia, atualmente. Querendo dizer valorização, democratização, sinalização, oportunidade. Há uma democracia em todo o projeto que interessa destacar. A Sagres dá o nome a um projeto que faz os restaurantes trocarem de cidade e assim se justificam todos os adjetivos antes enumerados. E isso encanta Nuno Diniz que coordena a operação de cozinha, ao passo que na sala, Menezes espalha o seu sorriso com Silva, ajudando a compreender melhor quem faz e o que está no prato.

Mugasa
Estive no almoço de domingo, na viagem do Mugasa até Lisboa. A sala estava cheia e com boa energia, até uma jornalista do Etaste estava presente mas as vistas e os sabores não permitiam desconcentração.
– Eu cubro a coisa, então.
A pérola da Bairrada aviou as malas e veio testar fornos. Ricardo encontrou o que queria e o resto só podia ser o mais fácil. Avisou que vinha se pudesse confeccionar em bom forno de lenha e dar o serviço com o leitão quente. Alerta, foi descoberto um forno de lenha, em Lisboa, onde se pode confecionar um leitão à Bairrada como deve ser. O porcino entra e sai para se ‘constipar’ e a pele ficar como se gosta. Ali por cima, crocante, deixando uma camada de gordura a fazer a conexão com a carne, mais osso menos osso à vista. Mais costela, dirão alguns amantes de boca sorrindo, a mastigar antes de levar à boca, no caso, a cerveja escolhida. Sim, o menu é naturalmente cervejeiro e a mesma há para todos, com ligação aos pratos. Agora que já se falou do leitão, podem referir-se os fígados e a magnífica cabidela, picante e cheia de texturas a pedir palmas. Superior também a chanfana que a mãe de Ricardo, o hábil homem do Mugasa deixou ir à mesa. Aletria no final.

Serviço público
O menu custa 30€, o que representa serviço público de caráter cultural e a caminho já estão os próximos jantares, ainda não divulgados mas em preparação. É que Menezes quer ver a coisa montada em espaços inesperados. E que inesperado foi conhecer este Clube do Bacalhau, ali perto da rua do Arsenal, em Lisboa.
Para a história ficam as prestações da fabulosa Inês Diniz que veio a Lisboa derreter com filetes e aletria, e a Noélia que levou ao Porto o grande Algarve (importante relembrar que é a mais apagada região gastronómica do país, querendo dizer: joia por mediatizar). Mais recentemente, e antes do Ricardo, esteve o José Júlio do Tomba Lobos a espalhar Alto Alentejo e bom porco Porto fora.

Clique na imagem abaixo para ver o vídeo do corte do leitão.

Vídeo: Hugo Alexandre Cruz