Começa cedo o segundo dia da final da 6ª Edição do concurso Jovem Talento da Gastronomia, organizado pelas Edições do Gosto. Em Santarém, no Festival Nacional de Gastronomia da cidade, vários jovens das áreas de mesa, bar, pastelaria e cozinha, esperam ansiosos, sentados, pelos resultados da competição. Zunzuns aqui e ali. “Quem é aquele chefe? Acho que o conheço”, ouve-se. Cá dentro não chega o ruído do festival. A atenção está aqui. 

O dia promete ser longo e educativo. Check. Vários chefes do panorama nacional, como Rui Martins (Rib Beef & Wine, Porto), Tiago Santos (Anna’s, Aveiro), Vítor Adão (100 Maneiras, Lisboa) e Luís Gaspar (Sala de Corte, Lisboa), falarão hoje da sua cozinha, oferecendo conselhos a quem queira saber mais, respondendo à pergunta ‘Que gastronomia para o futuro de Portugal?’. Estas apresentações são nada mais do que demonstrações do seu trabalho e uma conversa informal com a plateia. “Vocês não precisam de receitas. Precisam sim de ser genuínos e não ter medo de arriscar”, diz Rui Martins, enquanto apresenta uma novidade aos presentes: um arroz doce líquido, que vai ser comercializado em breve. A descontração dos chefes em palco rima com o ambiente juvenil. Apesar dessa informalidade, o importante aqui é aprender. “Ao removermos a água de um ingrediente estamos a concentrá-lo, certo?” questiona sem esperar resposta Tiago Santos, enquanto mostra o seu caldo feito a partir de ossos de porco. “Isto só tem dois ingredientes: ossos e água”. Parece fácil. Vítor Adão, na mesma linha, reforça “como um chefe uma vez me disse: less is more. Hoje só trago três ingredientes e no fim quero que vocês provem”. E assim foi.

Mas nem só de cozinha se faz este concurso, completo no formato. O empregado de mesa, o barman e o pasteleiro também têm lugar neste fórum em que a gastronomia é protagonista. Os pasteleiros William Melo (Fortaleza do Guincho, Cascais) e Andreia Moutinho, juntam-se a Paulo Amado (Diretor do ETASTE) para uma conversa sobre a profissão. Também eles são jovens e sabem o que é estar no lugar de quem está a assistir. No final do dia, para eles, o que importa “é aprender sempre uma coisa nova”. O mesmo acontece com André Condeço (Vila Vita Parc Resort & Spa, Porches) que vê na arte de bem servir uma oportunidade de fazer “as pessoas felizes”.

Jaime Montgomery (Bovino Steakhouse, Almancil) sobe ao palco para mostrar o cocktail com que venceu o concurso Barman do Ano 2016. Second Epiphany é “um cocktail que sai da cozinha” e é servido num prato, como entrada, no seu restaurante. Sem ninguém antever, Jaime chama ao palco os quatro concorrentes finalistas da categoria e à medida que vai explicando o processo da bebida, vai dando instruções aos mais jovens. “É isto que faço no meu bar. Ensino, dou a cheirar e provar. É importante”. Está tudo feito. Agora é só shake it shake it.

Instala-se um barulho de fundo da sala. Já são quase 17h. E ainda há tempo para Luís Gaspar apresentar a Sopa de Pedra, um dos pratos que lhe valeu o título de Chefe Cozinheiro do Ano este ano. Mas não vem sozinho. Rui Martins, Tiago Santos e Vítor Adão, que ali tinham estado momentos antes juntam-se a Luís e o resultado é uma reunião de amigos que gostam de cozinhar. Entrega de prémios feita. E para o ano há mais.

O dia para muitos começou cedo. Ontem foram horas intensas de prova. O resultado está aqui. Acabou.

Cerca de 90 jovens passaram primeiro por três etapas regionais em Lousada, Portalegre e Fátima. Hoje, Luís Feiteirinha (Artes da Mesa), Miguel Pereira (Barmen Inter), Catarina Rodrigues (Cozinha com Legumes Bonduelle), João Coelho (Cozinha Makro), Lara Figueiredo (Pastelaria Sical), Rafael Portásio (Petiscos com Cerveja Super Bock Selecção 1927) e Luís Moleiro (Tradição com Arroz Bom Sucesso) levaram o prémio máximo para casa e prometem ser o futuro de Portugal. Pode ser que um dia oiça falar deles. Por agora, é aproveitar as promessas do presente.