#resistir Diário de Olga Cavaleiro: Amanhã #11
Hoje, dei comigo a sorrir. Nem eu reparei que estava a sorrir. Só depois de sorrir reparei que o tinha feito.
Hoje, dei comigo a sorrir. Nem eu reparei que estava a sorrir. Só depois de sorrir reparei que o tinha feito.
Não podemos ficar a dizer que vai correr tudo bem quando o sorriso é amarelo e o que se recebe é um presente envenenado.
Queria não me sentir um ponto tão pequeninho. No desafio, na (in)certeza, na procura. Queria ser maior para ser útil. Do salto do mundo para o nosso país, encontrar soluções
Mas o que é certo é que nas palavras de Sophia consigo sempre ser feliz. Repouso nelas o rosto cansado e encontro sempre a inspiração, a força, o sorriso.
Precisamos de dias felizes, de poder respirar e cheirar a Primavera. Precisamos de uma folga. Sabemos que não está para breve, mas ajudava.
Até parece que temos todo o tempo do mundo. Mas não temos. É necessário olhar o amanhã que é já no segundo a seguir. O mundo não vai mesmo ser o mesmo depois disto.
O sol sente-se através da janela e da minha janela vejo o mundo. Para lá do caos a que estou atenta mas que recuso, penso na juventude que me inspira e que me deixa com pele de galinha.
No negócio da restauração e da alimentação já surgem ideias para reinventar os modelos mostrando que nada está escrito na pedra e que há um mundo grande a descobrir.
Nas minhas viagens em que, literalmente, rodopio pelo nosso país assusta-me, mais do que me escandaliza, o isolamento a que vejo votada as populações do interior.
Escrevi em tempos que a um cozinheiro quase se pede que seja super-herói. Não daqueles com capa e com um superpoder como na banda desenhada, mas como homens e mulheres que estão ativos e pensam no princípio e fim de todo o processo alimentar.