#resistir João d’Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #36
Não. A alta cozinha ou o que quiserem chamar, não pode morrer. Eu sei, contra mim falo que escolhi o meu caminho longe dessa aventura mesmo que tendo aprendido as suas técnicas.
Não. A alta cozinha ou o que quiserem chamar, não pode morrer. Eu sei, contra mim falo que escolhi o meu caminho longe dessa aventura mesmo que tendo aprendido as suas técnicas.
Estava tudo a correr bem. Não estando a correr bem, estava num bom caminho. Há sempre coisas que não correm bem. Mas são superadas. Suplantadas.
Estava tudo a correr bem. Não estando a correr bem, estava num bom caminho. Há sempre coisas que não correm bem. Mas são superadas. Suplantadas.
Acho que todos sentimos isso. A saudade. Mesmo aqueles que continuam a cozinhar para outros levarem. A saudade da agitação dos dias. Das conversas trocadas. Dos aromas e dos sabores. Das palavras ditas a correr.
A chuva não se faz notar, mas alivia o cinzento carregado e dá lugar ao azul celeste. Nestes dias, os meus passeios são sempre com companhia. Ao longo do caminho de terra batida vou encontrando solitários caracóis que no seu passo lento vão conquistando sempre mais um bocadinho de caminho. Como eu gosto desta companhia.
Estava tudo a correr bem. Não estando a correr bem, estava num bom caminho. Há sempre coisas que não correm bem. Mas são superadas. Suplantadas.
Não sei, mas acho que, às vezes, preferia a ignorância ao conhecimento. Viver sobre a pressão do conhecimento tira-nos anos de vida e bem-estar. Só digo isto porque cansa todo o ruído que anda no nosso encalço.
E porque não, por exemplo, ser obrigatório que o subsídio de refeição dos trabalhadores seja gasto em restaurantes, cantinas, refeições? É uma estruturação possível. Uma mão lava a outra e certamente com uma economia local a mexer, com este pequeno gesto, a roda começava a girar…
É por isso expectável que a retoma da atividade do setor da restauração em Portugal se faça de forma muito lenta, mantendo a pressão na sustentabilidade dos negócios de restauração, razão pela qual a decisão de desenvolver os canais de take-away e/ou delivery não se esgota enquanto resposta imediata à pandemia, mas sobretudo como um novo paradigma de negócio, fundamental aos novos tempos que se avizinham.
A minha reflexão recai sobre o “fine dining” em Portugal. Não poderemos perder este sector da restauração que, quer queiramos quer não, é um motor de arranque para muitos cozinheiros irem beber da técnica e do modus operandi destes locais e, posteriormente, adoptar estes sistemas em outros restaurantes mais casuais.