#resistir João d’Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #45
Os dias correm. Já são muitos. Por isso, as decisões a tomar são sempre ponderadas. Nem a certeza de muitos que se dizem já preparados para tudo e mais alguma coisa.
Os dias correm. Já são muitos. Por isso, as decisões a tomar são sempre ponderadas. Nem a certeza de muitos que se dizem já preparados para tudo e mais alguma coisa.
Chega o tempo das decisões. Cada dia, cada dia que passa, perdemos algo. E ganhamos algo. Quando comecei a escrever estes textos, pensava que isto tudo demoraria muito mais do que podíamos imaginar.
Cada vezes seremos mais casas em nós mesmos. Isolados, para segurança e sobrevivência. É simples, o egoísmo salva.
Lentamente vamos acordando. Primeiro falam de um selo e de um manual. De medir temperaturas. De máscaras e de desinfecções. Deixamos de falar de cozinha para falar de sobrevivência.
Lembra-se de ser livre? É simples. É só recordar o primeiro dia. O dia em que abriu as portas do restaurante. Das coisas previstas que não aconteceram.
É a tal coisa da responsabilidade. Afinal, sem ordem, sem regras, não será possível nada disto. O Estado, essa máquina imensa de criar condições, deixa à sorte o que não pode ser deixado.
Voltamos sempre ao lugar onde fomos felizes. Ou àqueles que acrescentaram valor à nossa vida. Será essa a realidade que vamos procurar no futuro.
Vamos por partes. A impossibilidade assim o exige. Um grande problema é mais fácil de entender se for partido em pequenas partes.
Reformular, redesenhar, refazer, reinventar. E nós, que fazemos uma cozinha típica de base ancestral como o podemos fazer.
Não. A alta cozinha ou o que quiserem chamar, não pode morrer. Eu sei, contra mim falo que escolhi o meu caminho longe dessa aventura mesmo que tendo aprendido as suas técnicas.