#resistir João d’Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #42
Lentamente vamos acordando. Primeiro falam de um selo e de um manual. De medir temperaturas. De máscaras e de desinfecções. Deixamos de falar de cozinha para falar de sobrevivência.
Lentamente vamos acordando. Primeiro falam de um selo e de um manual. De medir temperaturas. De máscaras e de desinfecções. Deixamos de falar de cozinha para falar de sobrevivência.
O futuro muda todos os dias. Acho que essa é outra certeza que conquistámos. Se isso é desesperante? Talvez não. do que comer. Era mesmo a conversa que sabia bem, eram as palavras que fluíam entre garfadas que faziam sobressair o sabor. A conversa era o condimento, o sal. Falta-me a rotina dos amigos.
“Este apartamento não é assim tão pequeno. Basta-me imaginar que é grande. Basta-me cerrar um bocadinho os olhos para que ele cresça. E esta fresta de luz pode ser o sol inteiro, se eu quiser que assim seja. "
Lembra-se de ser livre? É simples. É só recordar o primeiro dia. O dia em que abriu as portas do restaurante. Das coisas previstas que não aconteceram.
É a tal coisa da responsabilidade. Afinal, sem ordem, sem regras, não será possível nada disto. O Estado, essa máquina imensa de criar condições, deixa à sorte o que não pode ser deixado.
Com a pressa de ver o pôr-do-sol na companhia da minha oliveira favorita deixei passar um dente de leão solitário bem altivo. No regresso, com as ruivas a colorirem o céu, lá vinha eu a procurar o dente de leão que me tinha chamado a atenção. do que comer. Era mesmo a conversa que sabia bem, eram as palavras que fluíam entre garfadas que faziam sobressair o sabor. A conversa era o condimento, o sal. Falta-me a rotina dos amigos.
Voltamos sempre ao lugar onde fomos felizes. Ou àqueles que acrescentaram valor à nossa vida. Será essa a realidade que vamos procurar no futuro.
O Covid-19 ou o Coronavirus, como lhe quiserem chamar, tirou oportunidades a muitas pessoas. Mas cabe a cada um de nós mudarmos as nossas atitudes e práticas face a esta nova realidade que chegou para ficar. Porque o dia de hoje será diferente do amanhã.
Ai que engraçado que esteja neste fado! Ainda que há pouco não tenha estado muito melhor. Porque depois de tanto tempo ainda não me consigo ressentir. Tantos dias neste pranto que só eu conheço. E conheço tantos.
Depressa o direito virou avesso. O mesmo é dizer que rápido deixámos de ter uma vivência calma e tranquila com os compromissos todos cancelados e passámos a estar todos online. do que comer. Era mesmo a conversa que sabia bem, eram as palavras que fluíam entre garfadas que faziam sobressair o sabor. A conversa era o condimento, o sal. Falta-me a rotina dos amigos.