#resistir Diário de Olga Cavaleiro: Atrás da felicidade #9
Queria não me sentir um ponto tão pequeninho. No desafio, na (in)certeza, na procura. Queria ser maior para ser útil. Do salto do mundo para o nosso país, encontrar soluções
Queria não me sentir um ponto tão pequeninho. No desafio, na (in)certeza, na procura. Queria ser maior para ser útil. Do salto do mundo para o nosso país, encontrar soluções
São dez dias a escrever aqui e os tais quatorze já com as portas encerradas. A decisão foi tomada um pouco antes de muitos. Em equipa.
Os cozinheiros são feitos de fogo. E humor. E amor. É com humor que hoje pego nas palavras. Os cozinheiros fazem-se pelo fogo.
Felizmente toca o despertador e volto à realidade, os amigos estão cá, com vontade de lutar, Lisboa continua a ter uma luz linda, estamos todos mais solidários do que nunca.
O cozinheiro chegou a casa. Depois de ter suspendido a atividade do restaurante, o meu marido chega a casa. Sou casada com um cozinheiro que vai fazer, para o ano, 25 anos. Já não precisamos de trocar palavras, eu sinto o que lhe vai na alma.
A minha necessidade de suprir necessidades básicas passa por comer bem, agora ainda mais, o que para mim significa ter prazer em ver, cheirar, tragar, mastigar e deglutir alimentos confecionados por especialistas no prazer do bem cozinhar.
Criar um restaurante passa por esse caminho a sós. Na decisão. Só nisso. O resto, tudo o mais, quanto mais partilhado melhor.
Mas o que é certo é que nas palavras de Sophia consigo sempre ser feliz. Repouso nelas o rosto cansado e encontro sempre a inspiração, a força, o sorriso.
Foi-me dada a oportunidade de parar, olhar em volta e olhar para dentro de mim. Surgiu uma vontade ainda maior de viver.