#resistir João d’Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #27
Afinal, vinte e cinco dias depois ainda escrevo aqui. Afinal, já passaram vinte e cinco dias. Pergunto-me, em silêncio, se chegarei aos cinquenta.
Afinal, vinte e cinco dias depois ainda escrevo aqui. Afinal, já passaram vinte e cinco dias. Pergunto-me, em silêncio, se chegarei aos cinquenta.
No âmbito da situação que se vive em Portugal devido à Covid-19, vários restaurantes iniciaram ou reforçaram a sua aposta nos serviços de delivery e take away. Para estudar o impacto desses serviços no negócio hoteleiro, dois professores da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Politécnico do Porto, Daniel Azevedo e António Melo, estão a aplicar um questionário destinado a profissionais de restauração/proprietários de restaurantes e consumidores.
Depois de um dia muito comprido, enfim a paz, a música no silêncio que o dia não tem. Respiro, enfim. Sinto que também Portugal respira após semanas de aflição.
Digo a mim mesmo tantas vezes: não te esqueças. Não te esqueças que já estiveste sem chão. E que foi possível refazer a vida. A força que se repete, emerge disso.
Ana, conheço-te desde sempre. A minha vida não existe sem tu lá estares, presente ou não, e oxalá nunca viva sem que tu lá estejas. Sendo omnipresente, eu apenas me concebo contigo, mesmo que longe em distância e em opiniões.
Afinal, vinte e cinco dias depois ainda escrevo aqui. Afinal, já passaram vinte e cinco dias. Pergunto-me, em silêncio, se chegarei aos cinquenta.
Em cada folar um rosto amigo, por isso, impossível não sentir que os folares dos outros são também meus. De Trás-os-Montes aos Açores, sinto falta dos meus amigos. Talvez seja isso.
Racionalizar o que nos está a acontecer pode ser o maior dos erros de gestão porque nos fará evitar sofrer a dor e a angústia de ter que reabrir com todas as falhas e defeitos que inevitavelmente, todos os negócios possuem. Racionalizemos uma parte, mas deixemos a dor ajudar a encontrar soluções de futuro.
Vejo que os primeiros mecanismos se baseavam em tensão, depois em torção e, por fim, usavam a gravidade. Ignoro isso. O que eu procuro é em como erguer uma força para nos (re)inventarmos como homens e não como máquinas.
E não faz mal. Não faz mal querer continuar e não saber como. Ver cada dia passar e pensar nas despesas. Que será, se tudo se arrastar mais, dívidas. E os pendentes.