#resistir Margarida Rego: Diário de uma cozinheira no Porto #6
Afinal tomamos muitas decisões sem percebermos que o estamos a fazer. Parece que decidi olhar para trás apenas para ir buscar “reservas de felicidade”.
Afinal tomamos muitas decisões sem percebermos que o estamos a fazer. Parece que decidi olhar para trás apenas para ir buscar “reservas de felicidade”.
Não podemos ficar a dizer que vai correr tudo bem quando o sorriso é amarelo e o que se recebe é um presente envenenado.
Diariamente chegam e-mails a cancelar reservas. Mas também a fazer novas demandas. É neste equilíbrio incerto entre incredulidade e optimismo que vive o sector. Impossível fazer planos, nos negócios como nas nossas vidas.
Se esta situação drástica e repentina não conseguir fazer o mundo parar para pensar, então não sei o que o fará. Temos que nos reinventar e principalmente fazer frente às dinâmicas sócio-económicas e políticas que nos são impostas todos os dias.
Não tenhamos a ilusão da imortalidade, a pretensão de termos saúde, a vaidade de sermos o futuro. Se para percebermos a nossa humanidade tivermos de desenvolver paranóias ou birras ou sustos de solidão devido ao isolamento, que seja!
Queria não me sentir um ponto tão pequeninho. No desafio, na (in)certeza, na procura. Queria ser maior para ser útil. Do salto do mundo para o nosso país, encontrar soluções
São dez dias a escrever aqui e os tais quatorze já com as portas encerradas. A decisão foi tomada um pouco antes de muitos. Em equipa.
Os cozinheiros são feitos de fogo. E humor. E amor. É com humor que hoje pego nas palavras. Os cozinheiros fazem-se pelo fogo.
Felizmente toca o despertador e volto à realidade, os amigos estão cá, com vontade de lutar, Lisboa continua a ter uma luz linda, estamos todos mais solidários do que nunca.